Bioma Mata Atlântica: características, animais, plantas e sua conservação.


A Mata Atlântica ocorre na costa leste do Brasil desde o norte da Região Nordeste até o Rio Grande do Sul e possui uma biodiversidade gigantesca, ao mesmo tempo que é o bioma mais povoado e ameaçado do Brasil.
A área total do bioma é de 1 086 977 Km2 segundo a revisão dos biomas brasileiros de 2025 do IBGE, que aumentou em 1,8% a área do Cerrado e diminuiu em 1% a área do Bioma Mata Atlântica com base em verificações realizadas em campo (IBGE, 2025).
Na Região Nordeste, a Mata Atlântica é reconhecida oficialmente em 8 estados, de acordo com a Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica:
Bahia (32% do estado)
Alagoas (55% do estado)
Sergipe (47% do estado)
Pernambuco (17% do estado),
Paraíba (11% do estado)
Piauí (11% do estado)
Rio Grande do Norte (7% do estado)
Ceará (6% do estado)
Quantas Espécies Existem na Mata Atlântica?
Embora muitos sites repitam uma antiga estimativa de aproximadamente 20 mil espécies, esses números são difíceis de verificar.
São catalogadas pelo menos 14.905 espécies de plantas com flores, enquanto a fauna reúne cerca de 2.000 espécies de vertebrados, de acordo com as compilações mais recentes.
Além do número elevado de espécies, também é elevado o grau de endemismo, que pode chegar a 80% entre as espécies de bromélias.
Diversidade Taxonômica e de Habitat
Toda essa riqueza da Mata Atlântica resulta da confluência de muitos fatores, entre eles, a imensa disponibilidade de recursos e energia, por estar na costa do Oceano Atlântico e predominantemente em clima tropical, com abundância de luz.
Mas uma coisa fundamental é que, além da sua variação latitudinal (dos trópicos ao clima subtropical) sua área de ocorrência também tem grande variação de altitude, indo do nível do mar até os 2 897m do Pico da Bandeira. Tudo isso gera uma enorme diversidade de hábitat, provendo muitas possibilidades de nichos ecológicos.
Longe de corresponder a uma formação florestal uniforme, a Mata Atlântica reúne diferentes tipos de vegetação e ambientes, condicionados principalmente pelo clima, relevo, solos e disponibilidade de água, incluindo florestas ombrófilas, florestas estacionais, formações associadas às serras e aos campos de altitude, além de restingas e manguezais. Essa heterogeneidade ambiental contribui para a elevada diversidade de espécies e para a ocorrência de conjuntos florísticos distintos ao longo de sua distribuição.
Essa diversidade também está relacionada à longa história biogeográfica da Mata Atlântica. A distribuição atual de muitas espécies resulta de períodos de expansão e retração das florestas, mudanças climáticas e alterações na conectividade entre diferentes regiões ao longo do tempo. Estudos florísticos e filogenéticos revelam diferenças importantes entre a porção norte e a porção sul do bioma, além de áreas particularmente relevantes para o endemismo, como o antigo Centro de Endemismo de Pernambuco e o Corredor Central da Bahia. Assim, a Mata Atlântica deve ser compreendida como um conjunto complexo de formações e linhagens biológicas, e não como uma única floresta com composição uniforme em toda a sua extensão.

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