Da Mata Atlântica à Caatinga: Fotografias e Dados que Revelam o Nordeste por Dentro.
Quando desbravamos essa imensidão, fica cada vez mais evidente que a palavra “Nordeste” tenta reunir mundos muito diferentes em uma ideia simplificada. Aqui vão algumas imagens e dados que podem nos ajudar a compreender a grandiosidade da região e sua complexidade.

Com uma área de 1 552 175,419 km² (18,24% do território nacional), a Região Nordeste abriga ecossistemas espetaculares nos biomas que possui (Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Amazônia) além dos seus ecótonos, rios, estradas imensas e veredas estreitas onde fauna e flora possuem muitas espécies endêmicas. Sobre a variedade de relevos e solos dessa região, vivem 54 658 515 pessoas, segundo o último Censo do IBGE (2022) ou 57 244 485 segundo estimativa de 2025 do próprio IBGE.

Mata Atlântica
A área total do bioma Mata Atlântica é de 1 086 977 Km2 de acordo com a delimitação mais atual do IBGE, feita em 2025.
A biodiversidade do bioma é igualmente impressionante: as compilações mais recentes registram pelo menos 14.905 espécies de plantas com flores e cerca de 2.000 espécies de vertebrados. Esses números, entretanto, continuam sendo refinados à medida que novas espécies são descritas e as classificações taxonômicas são atualizadas.
Na Região Nordeste, a Mata Atlântica é reconhecida oficialmente em 8 estados, de acordo com a Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica:
Bahia (32% do estado)
Alagoas (55% do estado)
Sergipe (47% do estado)
Pernambuco (17% do estado),
Paraíba (11% do estado)
Piauí (11% do estado)
Rio Grande do Norte (7% do estado)
Ceará (6% do estado)
Ecótonos e Áreas de Transição
Não existe um muro separando os biomas: há muitos ecossistemas com características únicas ou que parecem “misturar” biomas diferentes. É importante falarmos das áreas de transição e ecótonos, pois eles são numerosos na região, ocupam grandes áreas e abrigam uma grande biodiversidade.
Brejos de Altitude
Os Brejos de Altitude são enclaves de floresta úmida encontrados em áreas elevadas do Nordeste, formando verdadeiras ilhas de umidade em meio ao domínio semiárido. A combinação entre altitude, relevo e chuvas orográficas cria condições mais úmidas que as áreas de Caatinga ao redor. Na Paraíba e em Pernambuco concentram-se 31 dos 43 brejos tradicionalmente reconhecidos pela literatura, muitos deles associados à Mata Atlântica e com elementos florísticos que também revelam conexões com a Amazônia (TABARELLI; SANTOS, 2004).
Esses ambientes apresentam elevada importância para a conservação. Uma compilação recente analisou 16 brejos de altitude e reuniu 73 espécies de anuros, das quais cinco são endêmicas desses ambientes e três estão ameaçadas de extinção (ARAÚJO et al., 2025). Um exemplo particularmente expressivo é o Pico do Jabre, em Matureia, na Paraíba. Com 1.197 m de altitude, é o ponto mais alto do estado e apresenta uma vegetação de mata serrana semicaducifólia e subxerofítica, com elementos tanto de ambientes úmidos quanto da Caatinga.
Caatinga
A Caatinga ocupa uma área total de 862 640 Km2 e é o bioma predominante na Região Nordeste, principalmente nas áreas de clima semiárido.

Sua vegetação apresenta numerosas adaptações às condições de escassez e irregularidade das chuvas, como perda sazonal das folhas, folhas reduzidas, espinhos e estruturas capazes de armazenar água. Além disso, a Caatinga não constitui uma paisagem homogênea: suas fisionomias variam conforme fatores como relevo, solo, disponibilidade hídrica e condições climáticas.
O conhecimento sobre essa biodiversidade também está em constante expansão. Dados compilados pelo PPCaatinga registram atualmente 4.963 espécies de plantas nativas, além de 183 mamíferos, 548 aves, 224 répteis, 98 anfíbios e 386 peixes. Esses números representam espécies registradas nos grupos contemplados pelo levantamento, e não a totalidade da biodiversidade do bioma.
Estudos recentes indicam ainda que há muito a descobrir. Gomes-da-Silva et al. (2025), ao analisarem dados taxonômicos de angiospermas brasileiras, identificaram a Caatinga e a Amazônia como as regiões com maior potencial para a descoberta de novas espécies vegetais.
Para conhecer em detalhes a fauna, a flora, as diferentes fisionomias e o que a ciência ainda está descobrindo sobre esse bioma, veja o artigo completo sobre a Caatinga.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Kássio Castro; ANDRADE, Etielle Barroso de; BRASILEIRO, Ana Carolina; SANTOS, Ednilza Maranhão dos; ÁVILA, Robson Waldemar; ROBERTO, Igor Joventino. Knowledge leads to protection: anuran composition and conservation of the ‘Brejos de altitude’ of Northeastern Brazil. Studies on Neotropical Fauna and Environment, v. 60, n. 2, p. 143–153, 2025. DOI: https://doi.org/10.1080/01650521.2024.2402614. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01650521.2024.2402614. Acesso em: 16 ago. 2026.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas na Caatinga – PPCaatinga. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/participamaisbrasil/consultapublica-ppcaatinga. Acesso em: 16 ago. 2026.
FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA; INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica: período 2024–2025. 20. ed. São Paulo: Fundação SOS Mata Atlântica; São José dos Campos: INPE, 2026. Disponível em: https://sosma.org.br/media/be29ef68-04b5-42c2-8c8e-efba329d4f2c/download. Acesso em: 16 ago. 2026.
GOMES-DA-SILVA, Janaína; NIC LUGHADHA, Eimear; FORZZA, Rafaela Campostrini. Protecting hidden treasures: Indigenous lands safeguard 50% of areas with the highest potential for angiosperm discoveries in Brazil—patterns and conservation priorities. PLOS ONE, v. 20, n. 7, e0326507, 2025. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0326507. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0326507. Acesso em: 16 ago. 2026.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Brasil em números 2025. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/2/bn_2025_v33.pdf. Acesso em: 11 ago. 2026.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: população e domicílios: primeiros resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf. Acesso em: 16 ago. 2026.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estimativas da população residente no Brasil e unidades da Federação com data de referência em 1º de julho de 2025. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://ftp.ibge.gov.br/Estimativas_de_Populacao/Estimativas_2025/POP2025_20251031.pdf. Acesso em: 16 ago. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS. TerraBrasilis: PRODES Caatinga. São José dos Campos: INPE, [s.d.]. Disponível em: https://terrabrasilis.dpi.inpe.br/. Acesso em: 16 ago. 2026.
JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO. Flora e Funga do Brasil. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, [s.d.]. Disponível em: https://floradobrasil.jbrj.gov.br/. Acesso em: 16 ago. 2026.
PÔRTO, Kátia C.; CABRAL, Jaime J. P.; TABARELLI, Marcelo (org.). Brejos de altitude em Pernambuco e Paraíba: história natural, ecologia e conservação. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente; Universidade Federal de Pernambuco, 2004. 324 p. (Série Biodiversidade, 9).
TABARELLI, Marcelo; SANTOS, André Maurício Melo. Uma breve descrição sobre a história natural dos Brejos nordestinos. In: PÔRTO, Kátia C.; CABRAL, Jaime J. P.; TABARELLI, Marcelo (coord.). Brejos de altitude em Pernambuco e Paraíba: história natural, ecologia e conservação. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente; Universidade Federal de Pernambuco, 2004. cap. 2, p. 17–24. (Série Biodiversidade, 9).
